Tomás de Aquino

Tomás de Aquino (Santo) Teólogo e filósofo italiano (Roccasecca, perto de Aquino, c. 1224–Fossanova, 1274). Filho de condes, estudou na abadia de Montecassino e, posteriormente, na Universidade de Nápoles. Em 1243, ingressou na ordem dominicana e, dois anos mais tarde, matriculou-se na Universidade de Paris, onde teve por mestre Alberto Magno.

Depois de residir algum tempo em Colônia, regressou a Paris e obteve, em 1256, o doutorado em Teologia. A partir de 1259 viveu na Itália como consultor do papa e, em seguida, lecionou na Universidade de Paris (1269-1272), onde já se impusera a tendência averroísta. Chamado Doctor Communis e Doctor Angelicus, é conhecido sobretudo como teólogo, por sua interpretação da Bíblia e das Sagradas Escrituras. Sua filosofia, que recolhe a tradição de Aristóteles e repele a questão da verdade dupla defendida pelos averroístas, estabelece a existência de duas fontes distintas, mas harmônicas, do conhecimento humano: a fé e a razão. Ambas podem prestar-se auxílio, pois a fé serve de norma extrínseca à razão e esta colabora com a fé na construção de uma ciência teológica, proporcionando-lhe seus esquemas de ordenação científica e seus argumentos dialéticos.

Tomás de Aquino e a Filosofia de Aristóteles

Na Summa theologiae, iniciada em 1265, operou uma adaptação da filosofia de Aristóteles ao cristianismo, manifestando uma das características básicas de seu pensamento: a interpretação naturalista de Deus e da realidade. Sua teologia natural demonstra racionalmente a existência de Deus, recorrendo a um argumento a posteriori que vai dos efeitos à causa e se expressa por meio de cinco vias, as três primeiras de raiz aristotélica e as duas últimas de raiz platônica: a via do movimento afirma que a cadeia causal dos seres que se movem nos remete à existência de um primeiro motor imóvel, Deus; a via da causalidade sustenta que todo o existente pode analisar-se como um efeito produzido por uma causa anterior, que é por sua vez efeito de outra, até chegar à ideia de uma causa primeira, que a si mesma se produz sem necessidade de outra; segundo a via da contingência, os seres da realidade são contingentes, isto é, existem mas não é preciso que existam, pois de sua existência não depende tudo o mais, o que leva a supor a existência de um ser necessário; a via dos graus de perfeição implica que os diferentes graus de perfeição nos seres criados sugerem a existência de uma perfeição suprema, Deus; por último, a via das causas finais defende a ideia de que, se na realidade tudo tende para um fim, chegar-se-á necessariamente à existência de uma causa final, de um organizador supremo de todas as criaturas do universo.

Outras obras: De ente et essentia (1242-1243), Summa contra gentiles (1259-1260), além de diversos comentários a Aristóteles e São Dionísio Areopagita. Data de comemoração: 28 de janeiro.


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